Pois é, fui convidado pra escrever pro Dzaí, dentro do Portal Uai, que é o maior de MG.
Acabei de criar um novo blog, em breve mudará de nome e interface, mas já podem ir curtindo (ou não) os textos no link:
Mais uma (vã?) tentativa de criar/manter um blog sobre música. Atualizações displicentes e aleatórias.
Pois é, fui convidado pra escrever pro Dzaí, dentro do Portal Uai, que é o maior de MG.
Acabei de criar um novo blog, em breve mudará de nome e interface, mas já podem ir curtindo (ou não) os textos no link:
Tirando a poeira do blog.
Jogando no ar um pequeno texto sobre o belo “Diamonds on the Inside”, de Ben Harper, que foi publicado pelo www.screamyell.com.br do mestre Mac Costa, em Maio de 2003:
Se você não conhece Ben Harper, estará perdoado de todos os seus pecados musicais ao escutar “Diamonds on the Inside”, sexto trabalho deste talentoso artista. Ele seria o que o Zidane representa pro futebol: um jogador completo que ataca, faz gols, desarma, marca e defende com competência (nota atual: às vezes dava suas cabeçadas hehe). Harper flerta com o rock, reggae, funk, soul, folk e não faz feio. É um polivalente musical. E possui uma sensibilidade nos arranjos e uma voz pra dar inveja em muito marmanjo que toca black music, faz pose e bebe Fanta (nota atual: perdoem-me, eu era jovem e muitas vezes era guiado pelos sentimentos mais rasos, incentivado por um site que tinha fama de falar mal de artistas, portanto eu era motivado a criticar e quando se é jovem e confiante, os adjetivos voam pelos teclados). São 14 faixas sem nenhum percalço (nota atual: hoje, talvez considere duas ou três faixas). “With My Own Two Hands” é um “reggae sem as chatices do reggae”; a faixa-título já entra como uma das melhores de 2003; “Everything” dá orgulho ao desgastado conceito do “pop”; “Amen Omen” arrepia até viking; “Temporary Remedy” é rock no estilo Lenny Kravitz (mas ainda melhor) e “So High So Low” é o que costumo falar de “barulho do bom”. Enfim, disco essencial pra sua prateleira. E aí, está esperando o que?
Texto postado em 14 de Julho de 2003 e há anos, inacessível na web.
TRIGO NO MEIO DO JOIO
No meio de toda a mediocridade (sendo bonzinho) do rock nacional, chegamos ao Skank. Sempre gostei da banda, apesar de não gostar tanto da sonoridade dos primeiros discos. Primeiro, o “Skank”. Tosco, divertido, sem pretensão: dancehall, reggae e ska. Aparece um bom contrato e o mega “Calango”, para muitos o melhor disco deles (nota atual: marco da música pop dos anos 90, que impulsionou o posterior e impulsionaria o próximo, se banda quisesse sequir naquela direção). É bem pop, aliás pop demais! “Te Ver” é uma canção legal, mas confesso que a sonoridade da banda não fazia muito minha cabeça. (nota atual: pô, tem outras músicas legais no cd).
Com o bem-sucedido “O Samba Poconé”, o Skank virou “banda de todas as rádios”. Baita disco pop, que não me agrada muito (nota atual: hoje agrada, viva o amadurecimento haha) mas tem seus méritos. Então, a banda ensaia uma mudança: “Siderado”. Disco de “transição”, ainda com canções da fase antiga, mas já aponta novos rumos. Um bom exemplo são minhas canções favoritas, que são bem distintas, “Resposta” e “Siderado” (nota atual: “Saideira” também é clássica hehe).
Em “Maquinarama” (o melhor disco da banda, na minha modesta opinião), acertam a mão. Sonoridade mais folk (nota atual: mas não só…) sem deixar as músicas mais “agitadas” de lado (nota atual: na verdade, é a famosa guinada da banda pro rock e ponto), o Skank realizou um disco muito bacana, que não vendeu muito (nota atual: ou não vendeu tanto quanto esperado, pois já era a época do Napster). As vendas melhoraram com o posterior, o “MTV Ao Vivo”. (nota atual: e eu nem citei nada, que vacilo! As inéditas são tão boas… Ah, eu tenho um texto sobre ele, deve ser por isso).
Agora, “Cosmotron”. Todo mundo elogiando bastante. (nota atual: não é/foi verdade). Nas primeiras audições, gostei bastante, mas já faço algumas ressalvas. Sem dúvida, é um bom disco, sinal de que ainda é possível fazer pop/rock com melodia e letras bacanas, sem recorrer para as poses de mau, tatuagens “iradas”, discurso vazio e letras infantis. (nota atual: devaneios pós-adolescentes, aiai).
Escolha o melhor chavão: “a banda mergulhou de cabeça na sonoridade dos anos 60/70 mas continua olhando pro futuro” ou “a banda se renovou, antecipou o futuro do pop bebendo na fonte de Beatles e do Clube da Esquina”.
Em “Supernova”, o início lembra bastante “All in the Mind” do Oasis (nota atual: só lembro do refrão dessa do Oasis agora haha), já a referência de “Tomorrow Never Knows” dos Fab Four é óbvia. Canção boa, psicodélica.
“As Noites” talvez seja a melhor música do disco. Balada irresistível, ótima letra. Vocal contido, lembra Clube da Esquina. Instrumental bacana, principalmente piano e baixo.
“Pegadas na Lua” já te chama a atenção pelo violão no início, bem agradável. Letra legal, ótima, música pop.
“Amores Imperfeitos” entra no meu conceito de “pop perfeito”. Não é agitada, nem muito calma. Tem qualidade e perfil radiofônico. Ótimo refrão, vocal bem melódico. Guitarra sutil, backing vocal, é a receita certeira do Skank para canções boas e pop ao mesmo tempo.
“Por Um Triz” Outro destaque, rock com aroma pop, belo teclado ao fundo. ótimo final.
“Dois Rios” é uma balada excelente, tecladão sessentista.
“Vou Deixar” é ótima (…) (nota atual: mas tocou tanto que ainda estou enjoado e nem prossigo nos comentários).
“Formato Mínimo”: a melhor letra do disco, mas faltou uma melodia à altura.
“Resta Um Pouco Mais”: Folk dos bons, ótima letra e boa melodia, pra quem toca violão, recomeço começar a “tirar o disco” por esta música.
“Os Ofendidos” é mais rock, podia perfitamente estar no disco anterior, outra boa canção.
Não acho que será o melhor disco do ano, como muitos críticos já gritam pelos cantos, mas sem dúvida está bem acima de 99% dos trabalhos das bandas “mainstream” do pop/rock nacional. (nota atual: ah, vai lá.. 85% fechado?).
A Regina, do blog 1001covers.blogspot.com me perguntou quais seriam os 10 melhores covers na minha opinião.
Isso demandaria uma longa e extensa pesquisa. De cabeça, em questão de alguns minutos, lembrei de alguns muito bons, que compartilho com vocês.
Se fui influenciado por Rolling Stones, eu lamento, ou não:
1. rolling stones – like a rolling stone (bob dylan)
2. joe cocker – with a little help to my friends (beatles)
3. hellacopters – gimme shelter (rolling stones)
4. faith no more – easy (commodores)
5. ben harper – strawberry fields forever (beatles)
6. david bowie – let’s spend the night together (rolling stones)
7. foo fighters – have a cigar (pink floyd)
8. johnny cash – hurt (nine inch nails)
9. nirvana – the man who sold the world (david bowie)
10. cardigans – iron man (black sabbath)
Texto originalmente publicado em Outubro/2003, mas indisponível até então na internet.
Após o texto, farei um “adendo” com alguns discos pós-2003.
MEUS DISCOS DE CABECEIRA
Nos últimos dias, escutei os novos álbuns do Nickelback, Rancid, Smash Mouth e Dido. Algo que achei em comum entre eles (talvez a única coisa) é que todos eles são “discos que não vão mudar sua vida”. Todos estes artistas citados já lançaram coisas melhores e esses álbuns são razoáveis (estou sendo bonzinho com o Nickelback, ok), vão apenas preencher catálogo.
Agora, alguns mudam sua vida. Claro, às vezes, não muda literalmente “a vida”, mas muda sua percepção, você começa a escutar música de uma forma diferente. São obras que, assim que ouvi, percebi um diferencial, algo que instantaneamente me fez escutar novamente ou ir atrás de artistas similares.
Antecipo que bandas “queridas da crítica” como Sonic Youth, Pixies, Teenage Fanclub, Jesus & Mary Chain, The Cure, Smiths, Echo & The Bunnymen, U2, Ramones e Velvet Underground estão ausentes. Reconheço a importância de todas, poderia citar vários cds excepcionais de todas, mas esta não é uma lista de melhores discos e sim, de discos que em algum momento da minha vida, causou algum ‘estrago’ em minha personalidade, de forma positiva ou não.
Discos em ordem alfabética e apenas um disco por artista:
Ela jamais fará um disco melhor do que este. (Nota atual: pode até fazer, mas não será como esse). Uma série de hits instantâneos e ótimas letras.
Para mais detalhes, leia a Revista Zero n°9, nas bancas. (nota atual: disco definitivo do hip hop, por colocar o hip hop além do hip hop).
Qualquer disco dos Beatles pós-Revolver, mas por este ser meu primeiro vinil deles, tenho um apreço maior.
Como unir rock, eletrônico, hip hop e sons inclassificáveis, sem soar chato, cabeça ou cult. Genial.
Consolidação de Harper como um compositor de não cheia e cantor de voz única.
Como trair o britpop, experimentar novos sons flertando com o rock alternativo dos EUA e fazer um disco sensacional.
Aula de folk rock. De arrepiar.
Divertido, alucinante, indispensável. (nota atual: síntese de uma época, prenúncio de outra, “marcar época” é pouco pra este álbum).
Meu primeiro cd de rock. Minha vida nunca mais foi a mesma.
Como fazer barulho e bons hits em um disco. (nota tual: só pelo título, já mereceria entrar na lista
)
Bíblia do punk rock adolescente dos anos 90.
Além de hits, faixas sublimes, abriu minha cabeça para novas sonoridades muito além do rock.
O primeiro disco do Led a gente nunca esquece hehe.
O Lenny atual é mera caricatura de um baita artista que já foi.
A porta de entrada pro maravilhoso mundo do trip-hop. Espetacular.
Duplo ao vivo, que provocou minha caça aos discos antigos deste gênio.
Hype se justifica, disco absolutamente necessário.
Aula de “stoned britrock”, o inicio do declínio do britpop em um disco que brilha até nos defeitos.
Derradeiro cd da banda. Despedida mais “clean”, mas encantadora.
Quanto mais falam mal, mais eu gosto dele. Trilha de bons e maus momentos, sua significação vai além das faixas.
Uma referência de como fazer (e não fazer) rock progressivo.
Disco perfeito pra ouvir: a) triste b) de madrugada c)bêbado e/ou drogado d)fazendo sexo e) todas as anteriores.
Tudo o que você faria no cd do Portishead, você também faz neste cd, mas o efeito é inverso. Fabuloso, escute alto, sempre. E sorria.
Talvez o melhor disco dos últimos 30 anos. (nota atual: ainda bem que coloquei o “talvez”. Este disco simplesmente mudou minha vida mais do que nenhum outro).
Pesado, psicodélico, polêmico e renegado. Quer mais atrativos pra este cd?
Perfeito. (nota atual: o resumo dos anos 90).
A obra-prima da psicodelia dos Stones. (nota atual: ah, mas hoje eu colocaria o “Let It Bleed” (1969) com certeza).
Quer ouvir rock/country/folk? Esse é o disco.
O melhor cd duplo que já ouvi.
Face mais agitada e bacana do Wilco, primeiro disco da banda com boas guitarras e belas músicas. (nota atual: hoje “Sky Blue Sky” (2007) coloca esse belo cd no chinelo).
Nacionais:
Melhor disco de banda independente que já ouvi.
Trip-hop majestoso, cd que era vendido nas bancas, baratinho.
Brilhante.
Ganhei aos 8 anos de idade, embalou minha infância. Mas até hoje escuto.
O melhor e mais bem produzido cd da banda. Pop bacana, pitadas de rock inglês e sem besteirinhas engraçadinhas. (nota atual: atualmente, acho que foi desbancado pelo fabuloso “Toda Cura para Todo Mal” (2005).
Ápice criativo da banda.
Outra grande recordação da infância, que escuto até hoje.
De 2003 pra cá, alguns discos de referência pra mim, além dos já citados nas notas acima:
Referência em se fazer hardcore no Brasil.
Referência em se fazer um rock ácido, sarcástico e principalmente, inteligente.
A banda parou/acabou, talvez porque Dave Grohl percebeu que não dava pra fazer algo ainda melhor.
Tremenda felicidade nas composições, letras, timbres e até nos clichês.
Fugiu do óbvio e cometeu um trabalho absurdo de bom.
O moleque é foda. Só isso.
Texto originalmente postado em Março de 2004:
“RED HOT AO VIVO, FRUSCIANTE ALÉM
No final de 2003, o Red Hot Chili Peppers lançou um dvd ao vivo, chamado “Live at Slane Castle”. Você não deveria vê-lo porque:
Parei aqui. Mesmo assim, assistam o dvd, nem precisaria escrever mais, pois:
A banda confirma que quando estão conscientes (sãos), talvez nenhuma banda possua uma presença de palco, consistência e vitalidade como eles.
Tracklist: “By the Way”, “Scar Tissue”, “Around the World”, “Universally Speaking”, “Parallel Universe”, “The Zephyr Song”, “Throw Away Your Television”, “Havana Affair” (Ramones), “Otherside”, “Purple Stain”, “Don’t Forget Me”, “Right on Time”, “Can’t Stop”, “Venice Queen”, “Give It Away”, “Californication”, “Under the Bridge” e “Power of Equality”.
Texto inédito, de 1000 caracteres, sobre o primeiro cd dos Paralam.. ops, Vampire Weekend, brincadeira heheh:
“Crítico musical deve conhecer muita coisa, mas nem sempre se conhece o bastante. Mas tudo fica mais fácil quando a banda, sim, a própria conhece muita coisa e facilita tudo, como é o caso do Vampire Weekend.
Surgiu em 2006 em Nova York, lançou dois anos depois um álbum com o mesmo nome. Som agradabilíssimo, passeando pelo pós-punk, com um pé no Talking Heads (e principalmente David Byrne solo) e música africana. “Cape Cod Kwassa Kwassa” é Paul Simon. “A-Punk” toca em qualquer pista do mundo. “Oxford Comma” encanta pela malícia. O cd é cheio de detalhes, possui uma riqueza que põe qualquer Arcade Fire no chinelo, ou você já escutou reggae com arranjos orquestrados? “The Kids Don’t Stand a Chance” é sutil e linda. Só precisam se proteger dos clichês perigosos da “world music” O grupo é pretensioso, é rebuscado, mas até o mais chato se renderá a eles.
Uns chamam de art rock, outros indie rock, mas podem chamar de “música boa”. Que promete continuação em 2010, com um novo cd.”
Texto publicado em 2009 sobre a trilha sonora do filme “Godzilla”, de 1998:
GODZILLA E SUAS PROFECIAS
Recentemente, passeando e me perdendo pelos meus cds, achei um de capa verde, bem empoeirado. Era “Godzilla” (the album) que submergia pela poeira depois de anos esquecido nas profundezas do meu quarto.
Trilha sonora do filme, lançado em 1998, com direção de Roland Emmerich e protagonizado por Matthew Broderick. Vou deixar os comentários do filme para os experts do site, mas até onde me recordo, o filme deixa bastante a desejar. Já a discografia, é outro papo.
Para alavancar o filme no lançamento, reuniram uma seleção respeitável, alguns ainda não estavam em plena forma, outros estavam em fase de transição, mas todos contribuíram para fazer da trilha sonora um registro bem mais digno do que o que se viu nos cinemas.
Como primeiro single, a faixa de abertura do cd, “Heroes”, de David Bowie / Brian Eno, pelos Wallflowers. A banda, liderada por Jakob Dylan (sim, o filho “do homem”), estava no auge da carreira, recentemente lançaram o excelente “Bringing Down the Horse”, que vendeu milhões de cópias mundo afora (muito mais que qualquer álbum do pai) e trazia músicas sensacionais, como “One Headlight”, “6th Avenue Heartache”, “The Difference”, “Invisible City” e muitas outras. A cover é ok, difícil superar a versão original, mas pelo menos foi uma versão digna, fazendo muito sucesso por aqui também.
Segunda faixa, a polêmica “Come With Me”, de Puff Daddy (atual P. Diddy) e Jimmy Page. A base é “Kashmir” do Led Zeppelin (inclusive com Tom Morello, do Rage Against the Machine tocando baixo) e P. Daddy (whatever) fez uma versão, com outra letra. Enfim, como todo roqueiro adolescente, fiquei com raiva daquilo e tal. Mas foi uma cartada certeira, Puff Daddy estava em alta na época e surrupiar bases de rock era com ele mesmo (inesquecível o que fez com “Every Breath You Take” do Police que virou “I’ll Be Missing You)”.
Jamiroquai inova com “Deeper Undergrund”, ótima música, mas que foge totalmente do que a banda fazia até então. Depois de um início maravilhoso, flertando com acid jazz e funk, eles estouraram com o indispensável “Travelling Without Moving”, até hoje, o melhor disco dos caras, lançado dois anos antes, com “Alright”, “Virtual Insanity”, “Cosmic Girl” e minha favorita, “High Times”. “Deeper Undergound” mostrou o novo caminho que a banda tomou (inclusive, renovada, trocando vários integrantes). No disco posterior, o ótimo “Synkronized” (1999), “Deeper Undergound” aparece escondida, como bonus track.
Em seguida, Rage Against the Machine aparece com a arrasadora e inédita “No Shelter”. O Rage também estava no auge, depois da estreia, sucesso de crítica (“Killing in the Name”, “Freedom” etc) e do segundo cd, “Evil Empire”, sucesso de público (“Bulls on Parade” e nem preciso citar o resto).
Em seguida, “Air”, o delicioso Ben Folds Five, com seu jazz-pop-querendo-ser-rock.
O Days of the New também marca presença, com seu grunge acústico fino e a faixa “Running Knees”.
Não conheço bem o post-grunge do Fuel, mas não duvidarei se “Walk the Sky”, presente na trilha sonora, seja uma das melhores músicas da banda, pois é absurdamente boa, enérgica.
Foo Fighters apresenta a inédita “A320”, que segue com a barulheira do magnifico “The Colour and the Shape” (1997), mas já apresenta arranjos e acentos (e acertos) pop do posterior, o obrigatório “There is Nothing Left to Lose” (1999). Confira, imperdível.
O Green Day recicla “Brain Stew” (do recente disco, “Geek Stinck Breath”, o mais pesado e injustiçado da banda), com uns arranjos de orquestra adicionais e grunhidos desnecessários do “Godzilla”. Mas a música resiste, é boa.
O Silverchair aparece na sua fase de transição. Depois do primeiro cd grunge (“Frogstomp”), do segundo grunge/pesado (“Freak Show”) e antes dos acessos pop e orquestrados que levaram ao enorme sucesso de “Neon’s Ballrom” e “Diorama” (pelo menos aqui) a banda aparece com a faixa “Untitled”, inédita. Começa calma e bela e descamba pra barulheira irresistível, seria uma mistura de “Freak” com “Luv Your Life”, se isso fosse possível.
Adiante, dance com “Undercover” de Joey DeLuxe e no final duas faixas de David Arnold, que compôs a trilha (de fato) pro filme. Até então, Arnold compôs trilhas de outros sucessos (alguns do agente 007), como “Independence Day”, “Tomorrow Neves Dies”, “The World Is Not Enough”, “Die Another Day”, “Casino Royale” e “Quantum of Solace”. O cd duplo, com as 40 faixas de David, foi engavetado, mediante o fracasso do filme nas bilheterias. E inexplicavelmente, lançado em 2007.
Mas a trilha é de ótima qualidade e retrata uma fase de transição do rock, principalmente estadunidense, e já apontou os caminhos que o próprio tomou na virada do milênio. A trilha teve um papel profético. Se bem que o filme também, pois depois do fracasso de crítica e público, nem tentaram fazer outro.